quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Contra mim falo

No outro dia, partilhei uma imagem da casa de banho do meu filho, mostrando alguns apontamentos cor de rosa e normalizando a igualdade das cores para todas as crianças - rosa para os meninos e azul para as meninas, rosa e azul para todos! Lá em casa, é filosofia nossa não segmentar as coisas por sexo: sejam as cores, as brincadeiras, as tarefas domésticas... No Natal passado, o Tiago recebeu uma cozinha de brincar e um carrinho de limpezas a par da mota do Homem-Aranha; ele gosta e a última coisa que quero é cortar-lhe as asas da imaginação porque "as tarefas domésticas são coisas de meninas". Lembro-me, aliás, de ser pequena e de trocar bonecos com o meu primo, porque ele tinha uma série de Action Man mas não tinha nenhuma boneca, então eu dei-lhe uma das minhas Barbies para o Action Man poder ter uma namorada. Claramente a Barbie teve de ser minha porque nunca ninguém, no início dos anos 90, se lembraria de fazer ou comprar bonecas para os meninos. 
Talvez hoje ainda não se lembrem à primeira, mas, felizmente, o tema da igualdade de géneros (que funciona para os dois lados) já não é um assunto tabu e, quanto mais debatido, mais sensibilizados ficamos para ele. As mulheres podem tudo o que os homens podem: trabalhar, competir, treinar, vencer, liderar, ser médicas e engenheiras e juízas e donas de empresas... Mas os homens também podem tudo o que as mulheres podem: cozinhar, limpar a casa, jardinar, costurar, tratar de si e do seu corpo, ser pais a tempo inteiro... Enfim, percebem a ideia.
No entanto, enquanto apregoo estas ideias (e que tento pôr em prática todos os dias), contra mim falo, pois também eu peco de vez em quando. Por exemplo, quando o Tiago me viu de verniz na mão e quis pintar as unhas e eu lhe respondi prontamente:

"Filho, os meninos não pintam as unhas, só as meninas! O papá também não pinta, vês?"

Afinal, tanta coisa, tanta coisa, esta que canta de galo sobre a igualdade e o tanas e também lá caiu no estereótipo! Mas convenhamos, o argumento é tão fácil de usar e tão mais rápido de entender do que qualquer outra explicação que lhe pudesse dar. Autoflagelei-me um bocadinho, mas não me arrependo, confesso.
Se me iliba de alguma forma, em casa da prima, e com os vernizes de água dela, eu deixo-o pintar as unhas, os dedos e tudo, desde que tire logo a seguir! Não é por ser rapaz, é porque não gosto nada de ver crianças com unhas pintadas. Sim, sim, eu sei que quando tiver uma filha é que vou ver como são elas. Logo se verá!

4 comentários:

  1. eu também não gosto muito de ver crianças com vernizes nas unhas, mas é mesmo complicado quando se é mãe de menina - percebi agora porque a minha irmã, depois de anos a tentar demover a filha, chegou a uma idade em que não conseguiu evitar mais. mas os vernizes de água são uma óptima solução e acho tão fixe que o Tiago também os faça com a prima :))))
    também gosto muito que a relação do nosso Tiaguinho com "as regras dos sexos" seja tão descompromissada!!! muito bom;)

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    1. Nada na maternidade é fácil, as crianças são pessoinhas pequeninas e também têm vontades. Compete aos pais decidirem em que querem ceder ou não. Se calhar a tua prima chegou a uma fase em que, perante os prós e os contras de pintar as unhas, já não vale a pena criar uma guerra por causa disso. Depende sempre dos pais. Sempre. :)

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