segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ser mãe quando não o somos

Há muitas formas de ser mãe. Há as mães que o desejam durante muito tempo e aquelas que nem têm tempo para pensar no assunto antes de a vida lhes dar um presente. Há quem se torne mãe dos filhos dos outros e os acolha como se fossem seus. Há as mães que são mães de colo vazio, aquelas que tiveram o sonho nas mãos e na barriga durante algum tempo, mas que não se chegou a concretizar; e aquelas que não chegam a viver o sonho apesar de muito o desejarem.
Há muitas formas de ser mãe. Como dizia a poeta: A partir do momento em que és mãe, sempre foste mãe.
Hoje, e a propósito de um comentário que deixei no blogue E agora? Sei lá!, pensei nas mães que já o são antes de o serem. Que tomam as decisões da sua vida em prol dos filhos que ainda não têm. Mesmo que a decisão seja a de não ter filhos. A mim parece-me que uma mulher que pensa: "Posso (ter filhos) mentalmente? Posso fisicamente? Posso financeiramente? Tenho as condições mínimas que mo permitem?" está já a ser uma boa mãe. Porque está a pôr o bem estar do seu filho que ainda não existe à frente do seu desejo egoísta de querer ser mãe e ter um filho. Está a analisar as circunstâncias da sua vida e a ponderar o melhor para a sua família. E ser mãe não é mais do que isso. Mesmo quando a resposta é não, não posso (neste momento, agora, nunca!). 
As razões não interessam, as justificações não são devidas. Cada mulher (e homem) deveria poder abraçar a maternidade quando quisesse e se sentisse preparada para isso, sem imposições da sociedade, sem pressões da família e amigos. É verdade que não há alturas certas para nada, mas também é verdade que ter filhos não é como comprar uma coisa com prazo de devolução de 30 dias. É uma decisão para a vida e é uma verdadeira roleta russa: tanto nos pode sair o Nenuco como um diabinho em modo choro permanente. E, em caso de nos sair o último, até as mães que sempre o desejaram ser se veem muitas vezes em desespero.
Quando tomamos a decisão de ter filhos, quando tomamos a decisão de ser mães... não importa quando tempo demore até os filhos chegarem, não importa se eles nunca chegarem. Somos mães. Desde sempre. Para sempre. Em nós, no nosso coração, nos nossos sonhos. Porque a maternidade é muito mais do que apenas o lado biológico da vida. 


8 comentários:

  1. Gostei muito, Xaninha! Acho que é mesmo isto. Por exemplo, quem não quer ser mãe por não ter aquele instinto maternal ou não ter condições para isso está a ser uma boa mãe, porque escolhe não submeter uma criança a essa situação. E isso é pensar de forma responsável (como uma boa mãe).

    ResponderEliminar
  2. Gosto muito dessa forma de pensar. Quando comecei a tentar engravidar passei a gerir a minha vida em função disso. Passei a pensar duas vezes antes de comprar roupa, "porque posso engravidar". Parei de comprar saltos altos, "porque posso engravidar"... :P

    ResponderEliminar
  3. Texto muito sincero, pelo menos no meu ponto de vista. Não sou mãe mas já pensei muito sobre isso. Pensei no quando, no como, e continuo a pensar. A decisão é séria, e deve ser ponderada. Cada um decide a melhor altura para ser, e se não tiver oportunidade de decidir, decide se é aquilo que pretende. Uma criança deve sempre vir ao mundo com o destino de muito amor a receber, já traçado.
    https://jusajublog.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso, J*, é isso mesmo. Muito amor e condições mínimas para que possa crescer bem. Porque se a verdade é que encharcar os miúdos com brinquedos não é solução para a falta de atenção, dar-lhes muito amor também não lhes enche a barriga... Equilíbrio e responsabilidade é o que se pede aos (futuros) pais para que possam criar o melhor possível os seus filhos :)

      Eliminar